Isso aperta o meu pulso. Aperta o meu pescoço. Sólido e gelado como um bloco de gelo, inquebrável.
Estou no fim da linha. Como se libertar ?
Enquanto essa pergunta paira em minha cabeça, as horas passam. O mundo não para, nunca. Se você estiver caído no chão a terra continuará a tremer, isso dificulta que você se levante.
Não consigo ver essa corrente nos pulsos das outras pessoas e isso me faz perguntar se sou "normal".
Não sei o que tenho e não sei como fazer ir embora.
Não sei quem me aprisionou ou quando foi.
E nem mesmo sei se alguém pode me libertar...
Talvez eu deva esquecer tudo e ir dormir. Dias, semanas, meses ou quem sabe por anos.
A eternidade, o fim dos tempos. Não me importo que chegue enquanto eu durma.
Eu sei que estou devendo, mas não há nada que eu possa pagar...
Eu não acreditava, mas agora eu aprendi. Só porque alguém tem amigos ou família, esposa e filhos, não significa que o imenso vazio do peito esteja preenchido.
E imaginar que algumas pessoas iram se alegrar ao ler esse texto...
O fugitivo enfim foi pego. Aquele pobre garoto, que acabou levando a sério o jogo da vida.
Fora jogado ao deserto para morrer, de fome ou de sede, ou engasgado pela areia. Onde os dias são insuportavelmente quentes e as noites extremamente frias.
Um lugar onde os sentidos funcionam parcialmente. A única coisa a fazer é escrever "HELP" na areia fervorosa e imaginar como sua vida se extinguirá. Pois você sabe, ninguém quer esse tipo de problema, ninguém quer realmente salvar uma vida.
Então tudo bem, conforme-se. Olhe para as pessoas ao horizonte sorrindo, deite-se e deixe a areia lhe cobrir o corpo.
Passe o resto dos seus dias perguntando a Deus se a culpa é sua e implore por perdão.
Chore, grite, ninguém ouvirá você.
Eu entendo, não é obrigação das pessoas te ajudar.
Então, com o cair da noite, surge uma estrela cadente no céu. Olho em seus olhos e parece que até consigo ouvir seu último desejo...
"Peço que essa noite eu caia no sono e que meus olhos nunca mais se abram, amém."
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