"Não, você não pode.
Não é simples assim. Reparar as coisas que desconcertou não é tão fácil.
E o pior, você olha para tudo tão danificado e se sente pior.
As coisas agora voltam todas contra você, como um tiro no próprio pé. Não, no pé não. Como uma arma apontada contra sua cabeça. Mas você não pode pedir piedade daquilo que já não lhe pertence mais..
Sem saída, sem rotas de fuga.
Então, você acaba comprando uma briga que não consegue ganhar.
Feche os olhos, respire fundo.
Olhe para as estrelas e se engane. Invente uma diversão, um novo amor, qualquer coisa...Você só precisa esquece-lá mais um dia, e amanhã, começa tudo novamente.
De qualquer forma, não existe mais movimentos para serem feitos.
Apenas aguarde, enquanto te empurram lentamente.
E você vai se perguntar e perguntar, por noites e noites, porque as pessoas são assim...
E não adianta, ninguém está atrás de você para te salvar!"
Volto a mim então.
Percebo-me deitado no chão da varanda, é noite. Está uma noite fria e um céu sem estrelas.
Parece ser tarde, muito tarde.
Será mesmo verdade ? Quem me disse essas coisas ?
Eu pensei que já havia pago o bastante, mas parece que não...
O forte vento bate em mim como um castigo.
Aquela sensação de que algo ruim vai acontecer. Preciso me acalmar, preciso usar a cabeça, não posso deixar ninguém perceber nada.
Continuar fingindo que está tudo bem é tão difícil ás vezes. Por outro lado, não quero interferir na ordem natural das coisas.
Fecho os olhos e finjo que está tudo parado, tudo em seu devido lugar...
Não tem como fortalecer o coração para o impacto final.
Já sinto que está apontada. A lamina é até bonita e limpa. Espero que seja rápido e sem dor...
Porque você não a empurra logo ? A espera é uma tortura sem fim.
E é verdade, essa luta não posso vencer, não existe ninguém para me ajudar também e eu sinto muito tudo ter acabado assim...
Eu sinto muito...
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