Um sonho. Um não, alguns. Lembro-me perfeitamente da sensação de todos eles, mas vagamente do que realmente aconteceu. Prefiro pensar que são sempre sonhos. Nem bons nem ruins, apenas sonhos.
Sei que na minha realidade nada disso existe.
É estranho, jamais imaginei acordar e estar realmente ferido. Levo-me a mão ao peito onde fui atingido em cheio. Tudo bem, eu também me salvarei.
Essa sensação é muito ruim, mas nada poderia ser feito. Eu apenas deveria ter mantido os pés no chão e evitado sonhar, uma vez que eu não consigo dormir.
Nunca estou em um sono profundo...
Acordo e bebo um pouco de água, sento no sofá de minha sala com todas as luzes apagadas.
Apenas a luz da lua que entra pela minha janela me ilumina agora. É nessas horas que os pensamentos vem a tona.
De alguma forma ainda consigo sentir o seu coração bater, mas não sinto mais o meu. Dizem que quando o coração para de bater a pessoa morre, mas isso é pior. Ainda continuo vivo e totalmente vazio...
Tudo bem, deve ser apenas um delírio.
Meus amigos me incentivam a caminhar mas eu não consigo. Todos estão seguindo em frente, vivendo a vida, mas eu só consigo ficar parado.
Alguém que não é e não deveria ser. Alguma peça em algum lugar errado. Um vento soprado na direção contrária. Esse sou eu, uma luz em meio a escuridão, que por razão desconhecida luta para que as trevas não a consuma.
Abro a porta da minha sala e saio na varanda. O lugar onde costumavamos nos sentar todas as tardes parece tomado pela madrugada e seu fino chuvisco. Aquela grade jamais esteve tão gelada como hoje. Meu cabelo, tomado pelas finas gotas de água.
E o que eu deveria fazer agora ? Obviamente não voltarei para a cama e correr o risco de sonhar de novo, só me resta sentar aqui e curtir essa fria madrugada.
Sozinho...
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